Blog, Comportamento

A ditadura da felicidade.

A sociedade do smile está aí através da ditadura da felicidade, as pessoas precisam se mostrar o tempo todo felizes e bem resolvidas. A tristeza (algo normal em alguns momentos da vida) é algo inconcebível. Nisso a ordem social é nos apresentar sempre felizes através das nossas conquistas que podem ser; a viagem perfeita, os filhos perfeitos, os corpos sarados, a casa ou carro dos sonhos, tudo para mostrar que estamos muito bem, quando na realidade, fora das lentes e telas (sim telas, porque a rede social nos transformou em artistas, sempre tem alguém nos acompanhando do outro lado da tela para saber o que estamos fazendo) podemos estar aos cacos, e isso, poucos ou ninguém sabe.

Isso tudo é um perigo, pois se juntarmos essa imposição da felicidade com a pobre “tendência” que temos de considerar a grama do vizinho sempre mais verde que a nossa, teremos um resultado quase que catastrófico na vida de muitas pessoas.

Já parou para pensar no perigo deste imperativo da felicidade? Como isso afeta as nossas vidas? As consequências da imposição da felicidade são muito fortes, mas quase que imperceptível, de repente passamos a “desejar” algo e o colocamos como motivo da nossa felicidade, logo, se as “coisas” não caminharem do modo que idealizamos temos uma forte tendência a frustração, ainda mais numa sociedade onde os indivíduos tem muita dificuldade em aceitar a frustração, onde a educação atual dos nossos filhos está sendo construída em “reizinhos e princesinhas” onde nunca podem ser frustrados não recebendo a disciplina como forma de orientação à vida.  

Passamos quase que toda a vida considerando que, só conseguiremos o status de felicidade se fizermos a viagem dos sonhos ou, se tivermos o casamento, o filho, o marido, a esposa, a faculdade, ou, a festa perfeita e assim por diante. Lembremos que, o dos “dos sonhos” foi idealizado naquele formato que a pessoa “acompanhou” nas redes sociais, tv ou em conversa com os amigos.

É bem provável que as pessoas vão falhar conosco, o marido não será perfeito, tampouco o filho, o trabalho de longe será o dos sonhos, muitos não poderão fazer a faculdade que sempre sonhou, nem sempre terá o dinheiro para a tão sonhada festa ou para aquela viagem tão desejada. Isso não quer dizer que não devemos nos acomodar, todo processo de mudança começa com uma pitada de insatisfação com algo, se pretendo fazer a viagem dos meus sonhos, vou lutar sim, fazer hora extra, poupar um pouco mais e assim por diante. O grande problema quando boa parte da nossa sociedade fica doente, totalmente insatisfeita com a sua vida, não se sentindo feliz com as conquistas já obtidas, sempre se achando que precisa de mais, mais e mais, sua vida é um déficit, carregando no peito uma grande angústia em função de não se considerar feliz, feliz como? Como o padrão da felicidade social imposta nas redes. Esse pobre ser vivente só não pensa criticamente que muitas dessas pessoas também se sentem como ele, e aproveitam os pobres minutos de felicidade que possuem para mostrar que estão no ápice de sua alegria.

Esse artigo não tem por intenção criticar quem posta fotos dos momentos de prazer, descontração e alegria (eu faço isso), a crítica está em comparar a nossa vida em função do outro, e as redes sociais fez com que isso ficasse muito intenso. A cada postagem eu crio um novo desejo, logo uma insatisfação e logo tenho que trabalhar mais, ficar menos tempo com a família para ter “aquilo” que considero o fator de sucesso em minha vida.

Será porquê hoje em dia o consumo de anfetaminas, (as chamadas drogas da felicidade como; êxtase, bala, MDMA,  balinha colorida ) e LSD tão em alto? (em alto mesmo!!!) Elas alteram toda a nossa percepção visual, gustativa, tátil, auditiva e olfativa. Seus usuários ficam mais acelerados com ideia de estar mais felizes. No entanto, o estrago na vida destes usuários é enorme pois logo em seguida (muitas vezes até mesmo durante o uso) vem a sensação de pânico e medo, paranoia, tremores corporais, perda de controle de pensamentos, náuseas, vômitos, distúrbios de memória, convulsões ou taquicardia que pode levar até a morte. Tudo isso porque o indivíduo precisava se sentir mais feliz do que o normal pois sua vida é considerada um lixo por não se adequar aos padrões de felicidade imposto socialmente. Está faltando uma boa dose de senso crítico nesta sociedade que de tão frágil é doentia, fica buscando ajuda em drogas sintéticas que logo depois o deixará mais “pra baixo” novamente.   Não vou nem comentar dos que não usam drogas mas hipercompensam a tristeza de não ser/ter como outro no trabalho, comida, sexo, religião, esporte entre outras formas. Tenho muito mais a falar sobre essa bendita ditadura da felicidade, mas o espaço é limitado, sendo assim termino dizendo que, viver a felicidade é um desafio diário, alguns consideram uma escolha, outros um modo de ser e outros uma utopia. Mas, uma “coisa” posso considerar, ela não pode ser a meta, nem uma imposição, ela não é o destino, ela é o caminho, e o caminho são as nossas escolhas diárias. Ter consciência daquilo que escolho para minha vida e compreender as consequências dessa escolha, me faz ter uma vida mais saudável, e por fim mais feliz, pois compreendo que até as pedras do caminho são consequências deste caminho eleito e mais adequado para viver. 

Espero que a leitura deste artigo tenha lhe ajudado, aproveite e mostre a um amigo que necessita de uma leitura mais apropriada ao problema que esteja passando. Caso queira contribuir com críticas ou sugestões a esta coluna de comportamento escrita por Leonardo Sandro Vieira é só contactar pelo 33-98818-6858 ou 3203-8784 ou pelo e-mail:leosavieira@gmail.com  
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Leonardo Sandro Vieira 
CRP-04/43298

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