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Carências Afetivas no Casamento.

Carências Afetivas no Casamento.

Ah o casamento!  Sinceramente acredito que a decisão de casar e ter filhos são as decisões mais sérias que podemos ter em toda a vida. Isso porque o resultado dessas escolhas envolve uma profunda relação de interdependência, cooperação, compreensão e estimulação de afetos que o indivíduo se  compromete a fazer por toda a vida, ou pelo menos é o que se espera, pois, ninguém casa (ou não deveria casar)  com o pensamento separar quando simplesmente for lhe conveniente.

Costumo dizer que, há dias que nós não estamos nos suportando, ou gostaríamos de sumir um pouco pra nos compreender melhor, o que devemos fazer não fazemos, já aquilo que não gostaríamos de fazer logo fazemos. Quantos mecanismos de auto-sabotagem utilizamos em nossas vidas? Deste modo, não entendemos porque a vida é do jeito que é. Aí, aparece uma pessoa que se propõe a nos amar sempre, mesmo nestes momentos de intensa de angústia humana. Com todo cuidado na minha fala, é necessário muita sanidade ou insanidade para um comprometimento de tão alto significado e valor.

Há vários estudos da neurociência que mostram que a paixão dura em média dois a três anos, e que ela  altera a leitura de percepção da realidade da mesma forma que algumas drogas fazem no organismo. Por isso se tivesse alguma orientação a dar a futuros casais é, se possível, não case antes dos 03 anos de relacionamento, a possibilidade de no futuro você não perceber algo no parceiro que você não sabe se daria conta  é muito grande, e não porque ele não era assim ou assado, ele já era você que não percebia pois estava envolvido pelos hormônios da paixão que altera nossa percepção em algum grau (alguns mais outros menos) do modo de ser do parceiro. Mesmo com esse tempo ideal não temos a garantia pra nada, é só um tempo de relacionamento para uma melhor percepção do parceiro (a).  

Apesar dos filmes de romance e comédia romântica serem muito gostosos de assistir (eu gosto muito) e mostrar aquele modelo de paixão arrebatadora nos fazendo imaginar que o amor esta relacionado a ações feito às cegas, há que se ter cuidado, pois, muitas vezes é  uma esteriotipação da paixão não do amor. O amor envolve um pouco mais de razão do que a imaginação nos mostra, ele é intenso em afeto, contudo, não tira o pé da razão como forma de compreender a realidade ao redor pra lidar melhor com a situação.

Lendo o material da psicóloga Ana Letícia Rizzon, uma autora sobre relacionamentos que aprecio muito, ela faz a seguinte citação: “O Relacionamento/casamento é a segunda chance que queremos não só de ser amados, mas de ser reparados das nossas faltas emocionais primárias. Nele esperamos que, a pessoa que amamos nos ame de forma reparadora (RIZZON, 2019)”.  Ou seja, além de lidar com todas aquelas angústias citadas anteriormente (é possível que a frase da Rizzon nos explique um pouco do que nos causa estas angústias) o individuo que se propõe a casar precisa entender que o seu parceiro/a terá carências afetivas e estas carências afetivas estão totalmente ligadas às faltas emocionais primárias. Você sabe quais são as suas as faltas emocionais primárias e as  do seu cônjuge? Ou melhor, o que são faltas emocionais primárias?

Segundo o auto da “Teoria do Apego” de Jhon Bowlby desde quando nascemos temos três grandes necessidades afetivas que buscamos de alguma forma satisfazê-las, quando não há uma elaboração adequada destas necessidades afetivas nossa forma de perceber, elaborar, pensar, sentir e se comportar no mundo é totalmente influenciada durante toda vida.

 Resumidamente essas três grandes necessidades que sentimos é: A necessidade de sentirmos seguros, amados e com valor. (Poderia ficar aqui dissertando mais sobre a obra do Jhon Bowlby que é muito rica e valiosa, pois são muitos detalhes deste estudo, contudo o espaço não nos permite e em outro momento dissertamos um texto sobre sua obra, acredito que muitos irão gostar). Quando essas necessidades não são atendidas no desenvolvimento das fases da criança criamos necessidades emocionais, ou espaços afetivos vazios que precisam ser cumpridos. Sendo assim, nossas principais carências afetivas são:

 Se não houve uma elaboração adequada do AMOR temos o resultado de DESAMOR: Uma dificuldade intensa de se perceber amada em suas diversas relações inclusive a do amor. Desta forma, um dos modelos de se comportar nas relações amorosas seria aquela pessoa que sempre fica muito “pegajosa” ou “ciumenta” mesmo que o parceiro se esforce muito para demonstrar afeto ela sempre tem a sensação de estar sendo pouco amada.

Se não houve uma elaboração adequada da SEGURANÇA temos o resultado do DESAMPARO: Uma dificuldade intensa de se perceber amparado por si e pelo outro, sendo sempre muito frágil às relações ou se mostrando muito forte como forma de não mostrar a fragilidade.

Se não houve uma elaboração adequada da sensação de VALOR temos o resultado do DESVALOR: Uma forte sensação de pouca inabilidade em agir no mundo pois, sente-se com pouca função  em sua existência não sentindo com muita capacidade de interagir no mundo.

Não podemos deixar de dizer que muitas vezes há um misto de sensações e sentimentos de acordo com os fatos da vida.  Quando o indivíduo faz psicoterapia aprende a compreender melhor o que se passa consigo e principalmente qual a sua principal carência afetiva. Imagina no casamento onde o casal  não é ensinado a entender os sentimentos e comportamentos para lidar com estas demandas e mais ainda é totalmente insensível ao que acontece com o parceiro. Como disse anteriormente, decidir casar é de um ato de extrema coragem, mas posso  também falar que é uma das situações de maior aprendizagem a dar afeto que temos quando nos dispomos a viver o real sentido do casamento. Pense nisso!

Espero que a leitura deste artigo tenha lhe ajudado, aproveite e mostre a um amigo que necessita de uma leitura mais apropriada ao problema que esteja passando. Caso queira contribuir com críticas ou sugestões a esta coluna de comportamento escrita por Leonardo Sandro Vieira é só contactar pelo 33-98818-6858 ou 3203-8784 ou pelo e-mail:leosavieira@gmail.com 
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Leonardo Sandro Vieira 
CRP-04/43298

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