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Como ajudar um amigo que está em luto.

Amigos leitores, não é novidade pra ninguém o caos social que estamos vivenciando neste momento histórico em que enfrentamos uma pandemia, esse caos tem trazido muita dor e sofrimento à humanidade. Especificamente no Brasil vive uma perda diária de pessoas que chega nos abalar emocionalmente, é quase impossível que, à esta altura você não conheça alguém que tenha  perdido um amigo, vizinho ou familiar, só de ouvir falar que alguém próximo a nós está com COVID, o medo da perda  já se instaura naturalmente e, começa-se aquele monte de pensamentos negativos que nós aqui na psicologia nomeamos de pensamentos disfuncionais e/ou distorcidos, pois geralmente, estão carregados de sentimentos e sensações com maior intensidade do que é na realidade, não que a pandemia não seja algo preocupante, mas quando o medo e a ansiedade tornam-se muito grande, começamos a sofrer de modo desmedido, ou seja, patológico.

E quando alguém próximo pede um familiar? O que fazer? O que devo dizer? Como agir? Ainda mais neste momento de distanciamento social, muitos além de já não saber como fazer neste momento, ficam mais perdidos ainda no processo de relação de ajuda aos amigos em luto.  Então a pergunta é, como ajudar um amigo ou pessoas em luto neste período de pandemia? Contudo antes de responder essa pergunta precisamos compreender o que é o luto, para saber como lidar melhor com pessoas enlutadas.  

O luto é um processo de dor e sofrimento , ambos, não são a mesma coisa, a dor é um marco emocional negativo de algo ou momento específico que se vivenciou, sofrimento é o “carregar” dessa dor por um tempo indeterminado, normalmente sendo alimentado por pensamentos  e sensações de desesperança, arrependimento, tristeza, frustração, incompetência e medo entre outros. Um fator importante é que, o luto precisa ser vivenciado, permitir sentir essa dor da perda é essencial para sobrevivência e superação deste momento. Negar o luto significa o contrário, significa que o sofrimento que tende a continuar sendo carregado pelo indivíduo por toda vida enquanto não vivenciar esta dor, não é uma questão de dar um lugar a tristeza e deixar ser dominado por ela, é a questão de dar-se em frente a ela, e com o vazio por ela provocado e elaborar internamente como lidar e viver com este vazio, que neste período parece ser muito maior, mas que aos poucos vai se organizando os papéis internos com o apoio da família, amigos e até de um profissional se necessário . Essa uma condição indispensável para que a pessoa retome sua vida, agora sem a pessoa que amava, e possa refazê-la em interação com quem a cerca, como dizemos, negar esse processo, pode trazer conseqüências físico-emocional terríveis às pessoas.

 Aos que vivem esse processo de luto precisam elaborar de alguma forma essas novas condições, reconstituir um novo jeito de viver sem a pessoa que perdeu. Esse processo, sem dúvida, não é uma tarefa fácil nem rápida, especialmente se o vinculo era muito intenso ou se a morte foi traumática, ele demanda tempo e cada indivíduo possui um tempo para lidar com essa dor, não há um tempo igual para todo, o luto possui 05 estágios sendo eles;  primeiro: negação e isolamento, segundo estágio: raiva terceiro estágio: barganha, quarto estágio: depressão e quinto e último estágio: aceitação.

Saber que o amigo enlutado passa por esses estágios nos ajuda compreendê-lo e ampará-lo melhor, pois também corremos o risco em meio a uma tentativa de ajuda ser inconveniente, mesmo querendo ajudar. Então segue agora a resposta da primeira pergunta, como ajudar a um amigo que está enlutado? Segue abaixo algumas orientações necessárias quando estiver dando suporte a este amigo.

  • Nunca fale não chore, pelo contrário, dê um abraço forte e fale, chore, chore o quanto quiser estou aqui contigo, se vocês estiver no telefone, fale o mesmo, amigo (a) pode chorar, estou aqui, mesmo distante você tem meu ouvido, minha companhia, coloque pra fora essa dor que te assola neste momento.
  • Pessoas enlutadas possuem reações inesperadas, seja paciente e atento.
  • Verbalize que está à disposição sempre que necessário.
  • Compreenda que neste primeiro momento tarefas diárias podem ser difíceis de serem executadas,  o enlutado fica meio “no ar” um pouco sem sentido, principalmente se tiver medicado, então, coopere de alguma forma em alguma tarefa do dia que você puder ajudar.
  • Por favor,  nunca diga “foi melhor assim” troque essa fala por “não entendemos porque muitas coisas acontecem, só sabemos que dói e dói muito, estou aqui contigo pro que der e vier.
  • Aprenda ouvir, deixe o enlutado falar, colocar pra fora o que está sentindo, sem ficar criticando, são muitas as dúvidas no momento e a muitas sem respostas mesmo, não ofereça resposta ao que você não sabe.
  • Não tente fingir que nada aconteceu ou diminuir a dor, isso ofende a pessoa que está sofrendo.

Lembre-se de que a morte, embora seja um processo natural da vida, é um enigma para toda humanidade e a dor da perda de um ente querido sempre será um grande sofrimento, por isso se você se coloca neste papel de relação de ajuda, habilidades como saber ouvir, amparar, compreender, ser solidário e paciente serão muito requisitadas a nós.

Espero que a leitura deste artigo tenha lhe ajudado, aproveite e mostre a um amigo que necessita de uma leitura mais apropriada ao problema que esteja passando. Caso queira contribuir com críticas ou sugestões a esta coluna de comportamento escrita por Leonardo Sandro Vieira é só contactar pelo 33-98818-6858 ou 3203-8784 ou pelo e-mail:leosavieira@gmail.com
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Leonardo Sandro Vieira 
CRP-04/43298

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