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Dizem por aí que sou cabeça quente, estourado e ranzinza e aí como faço?

Você conhece pessoas assim? Que vive de cabeça quente, estourando reclamando de tudo, não é nada fácil lidar com elas, são pessoas tidas como grossas, estopim curto e sempre tem uma resposta afiada, navalhada, muitas vezes dura, ofensiva e prontinha para dar, parece que vive em estado de alerta se defendendo dos possíveis ataques que podem sofrer o tempo todo. A essa tipificação de comportamento damos o nome de pessoas reativas, pois estão sempre prontas para reagir em sua defesa. É preciso deixar claro que nem todas as pessoas reativas são estouradas ou cabeças quentes algumas são analíticas e prontas para o “bote”, no entanto pessoas que estão sempre estourando com o próximo e dão a desculpa de estar com a cabeça quente estão em estado de reação.

São vários os motivos que podem levar com que as pessoas “sejam” estouradas, coloco entre parêntesis, porque na realidade trabalhamos o conceito de que a pessoa no momento está nervosa, ou de cabeça quente, ou pode ser um comportamento aprendido desde pequeno fazendo com que todos pensem que não há possibilidade de mudança por ser uma característica da personalidade do indivíduo. Na realidade não significa que tem que ser assim, à medida que o indivíduo vai se conhecendo melhor e percebendo do que ele sente necessidade de ir se defendendo (muitas vezes o motivo é muito doloroso) ele buscará formas de resolver esta questão interna e tomando consciência de que não precisa projetar no mundo
externo seus medos.

Não podemos deixar mencionar que muitos que agem assim, geralmente possuem uma história de vida originada de situações muito conflituosas onde tiveram que aprender a se defender a todo momento como fator de sobrevivência, tendo como necessidade de acrescentar esse “modus operandi” no seu repertório comportamental. Já outros, tiveram uma experiência tão traumática onde lhe foi exigido essa forma reativa de agir e obteve grande “sucesso”, de tal modo que, a mente acabou padronizando quase como um “padrão oficial” esse modelo de resposta comportamental, por isso que quando meus pacientes me dizem que este ou outro comportamento é um péssimo defeito em suas vidas costumo dizer:
“O que você considera atualmente um grande defeito possivelmente em algum momento na sua história de vida foi um comportamento “super” funcional, o livrou de alguma situação mais constrangedora do que estava entrando, de forma que sua mente o selecionou como um padrão de resposta contínua “vai que me salva em todos os momentos” isso acontece meio que de forma inconsciente. Durante a terapia o paciente vai trazendo à consciência de que, não precisamos ser deste comportamento em todo instante e coragem para aprender novos repertórios comportamentais.

Sabendo-se que as crenças e pensamentos delineiam sentimentos e ações temos então outra forma de trabalhar esse comportamento, que é, compreender o padrão de crenças e pensamentos que este indivíduo possui que lhe traz um comportamento tão disfuncional, ou seja, o que o indivíduo pensa que lhe está acontecendo, ou lhe estão fazendo em todo momento que precisa se defender sempre.

Com relação ao modo de ser ranzinza (que não é presente em todos os reativos), me questiono sempre, se na realidade o indivíduo não possui o quadro de distimia que, de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais IV (DSM-IV) é um transtorno do humor que consiste nos mesmos problemas cognitivos e físicos presentes na depressão, com sintomas menos severos porém mais duradouros. A distimia apresenta uma série de características típicas: baixa energia e motivação, baixa  auto-estima  e incapacidade de encontrar satisfação nos afazeres do dia-a-dia. Ela, na forma leve, pode resultar em pessoas que evitam o estresse para assim evitar oportunidades de falha. Em casos mais severos, a pessoa pode se afastar de toda atividade diária. Essas pessoas geralmente encontram prazer em atividades e passatempos pouco usuais. Lembrando que nem todo ranzinza é distimico, mas todo distímico é um ser ranzinza. Um grande problema é fato de no dia a dia as pessoas não terem essa percepção, não é encarado como doença e sim como modo de ser e isso traz sérias consequências como isolamento social e a crença de que é uma pessoa ruim ou mau agradecida por “natureza” por exemplo. Para estes casos o tratamento mais adequado é a medicação através do psiquiatra e a psicoterapia. A medicação atuará como forma de regulação de algum neurotransmissor melhorando o humor e a psicoterapia como auxiliando
na percepção do seu modo de ser e trazendo novas estratégias comportamentais como respostas em situações que normalmente iria a ”reclamar” até que o indivíduo tenha aprendido que não há essa única forma de se comportar nas diversas vivências da sua vida.

Espero que a leitura deste artigo tenha lhe ajudado, aproveite e mostre a um amigo que necessita de uma leitura mais apropriada ao problema que esteja passando. Caso queira contribuir com críticas ou sugestões a esta coluna de comportamento escrita por Leonardo Sandro Vieira é só contactar pelo 33-98818-6858 ou 3203-8784 ou pelo e-mail:leosavieira@gmail.com  
Leonardo Sandro Vieira 
CRP-04/43298

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