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Família Disfuncional 01 – Modelo de Família Simbiótica.

Neste e no próximo artigo irei abordar sobre padrões de relações familiares disfuncionais em nossa sociedade. Falar sobre relações familiares é algo extremamente necessário por dois motivos muito significativos e complexos: Primeiro, é através dela que aprendemos a nos identificar e como perceber, sentir e interagir com o mundo ou seja, ela tem grande influência na formação da minha personalidade. Segundo, ela está presente na vida de praticamente todas as pessoas, até mesmo aquelas que foram infelizmente desprovidas da sua família biológica buscam apego e referência em outra família.

O termo disfuncional é utilizado neste contexto para mostrar que estas relações familiares não são agradáveis de viver e geralmente causam muito sofrimento nos indivíduos que nelas atuam pela forma como interagem entre si, causando também uma disfuncionalidade em seus comportamentos, é praticamente um ciclo vicioso, o indivíduo sofre e causa sofrimento em seus familiares.

O primeiro padrão de família que vamos abordar é a família simbiótica, o que venha ser uma família simbiótica? O termo simbiose é emprestado à psicologia pela biologia para explicar padrões relacionamento. Na biologia a simbiose é uma associação de dois seres vivos, na qual ambos os organismos recebem benefícios, mesmo que em proporções desiguais podendo gerar grande prejuízos a um deles. Para a psicologia a relação simbiótica é uma interação de dois ou mais pessoas de um mesmo conjunto (neste caso a família) que pelo seu modo de se relacionarem causam muito sofrimento (intencionalmente ou não) aos seus componentes. Uma forte característica desta família é a mutualidade dos membros. De alguma forma são muito emaranhados, isto é, extremamente ligados um ao outro, não deixando com que cada um exerça seu papel de modo independente, todos sempre se sentem na obrigação de opinar na vida do outro.

O modelo de relacionamento familiar simbiótico tem o seu discurso baseado no amor (algo muito positivo) contudo, é um amor amparado na superproteção e no medo, na dificuldade de emancipação do outro. No fundo, todos se amam tanto que tem medo de perder esse “ninho” tão gostoso e não há outro lugar no mundo como este. Os pais ficam a todo tempo colocando medo nos filhos quanto ao mundo externo, para que os mesmos não os percam nunca como a grande referência e possam sempre de alguma forma dependerem deles.

O encorajamento de uma visão sadia de uma relação positiva nos relacionamentos extra familiares como namoros, amigos da escola, da faculdade, do trabalho entre outros é pobre. O sujeito é estimulado a ver somente o seu ambiente familiar como um lugar seguro.

Neste padrão de família todos se acham no direito de intrometer na vida do outro, sempre com a desculpa de ajudar, há grande dificuldade de entender o espaço e escolha própria e alheia, os filhos são vistos sempre como crianças e incapazes de tomar decisões certas para si, por isso os pais sempre consideram que sabem tomar melhores decisões que eles de e por isso “devem” tomar essas decisões por eles, não valorizando o erro também como grande fator de aprendizagem.

Vale lembrar que alguns membros tentarão se rebelar saindo deste padrão familiar, mas serão vistos como grandes vilões, desenhados como patinho feio da história ou o mais rebelde de todos. Algumas literaturas da área apontam que, o que prevalece é o medo inconsciente dos cuidadores de solidão no futuro por isso criam filhos, irmãos ou familiares com o sentimento de grande dependência e de incompetência de lidar com este mundo extra familiar.

Há três grandes desafios para este padrão de relacionamento familiar

1º Romper o cordão umbilical – Se os pais não fazem isso, o prejuízo na vida dos filhos é grande em função da sensação de incompetência em saber lidar com o mundo externo e de sofrimento por sempre acreditarem que estão traindo seus pais se levarem sua vida à diante na luta por seus sonhos e dando continuidade aos passos comuns da nossa trajetória de vida.

2º Desenvolver senso de autonomia nos filhos – Desenvolver o senso de autonomia gradual em cada fase da vida dos filhos não significa que ele irá nos excluir da vida deles no futuro, mas significa que eles sofrerão menos e terão uma mais maturidade para atuar neste mundo que exige de nós muita habilidade e coragem para aprender a lidar com ele. Significa também que não estamos criando os filhos para satisfação das nossas alegrias e prazeres e sim para que sejam indivíduos autônomos consciente de si de do outro, que inclusive aprenderá a ser grato por ter tido uma família que o encorajou a lutar pelas suas conquistas e autenticidade.

3º – Aprender a enxergar amor nas diferenças – A Família simbiótica tem uma crença que só há união se todos forem iguais, se todos pensarem do mesmo jeito, isso, por muitos momentos é disfuncional, limita a criatividade e o senso de opinião própria. Uma das crenças que ela deve internalizar é que é possível haver união na pluralidade de pensamentos e que isso na realidade a fortalece. Sendo assim, ela é mais forte não por ser igual, ela é mais forte porque está aprendendo muito com diversas opiniões que existe dentro dela. Isso sim fortalece qualquer vínculo familiar. Pense nisso!

Espero que a leitura deste artigo tenha lhe ajudado, aproveite e mostre a um amigo que necessita de uma leitura mais apropriada ao problema que esteja passando. Caso queira contribuir com críticas ou sugestões a esta coluna de comportamento escrita por Leonardo Sandro Vieira é só contactar pelo 33-98818-6858 ou 3203-8784 ou pelo e-mail:leosavieira@gmail.com 
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Leonardo Sandro Vieira 
CRP-04/43298

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