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Família Disfuncional 02 – Modelo de Família Cindida.

Desde o último artigo estamos abordamos sobre padrões de relacionamentos familiares, o primeiro padrão abordado foi o de família simbiótica, nele percebemos o quanto o excesso de cuidado familiar pode provocar dor, extrema dependência afetiva e medo, tudo isso relacionado à dificuldade que os membros deste modelo de família têm de reconhecer quais são os seus papeis e os do outro nesta relação de afeto. Já no modelo que iremos abordar hoje acontece algo totalmente oposto é a família cindida, onde os membros têm extrema dificuldade de relacionamento entre si.

A palavra cindida vem do latim scindere que tem por significado cisão, repartição ou separação, no sentido figurado da palavra pode transmitir os conceitos de desavença, dividir-se, indispor-se, desentendimento ou desviar-se.

Normalmente as famílias com este padrão de relacionamento possuem um histórico de desavenças muito forte como se fossem rinchas por partes de família fazendo com que uma parte tome as dores da outra. Outra dificuldade neste modelo familiar é a forma de comunicação, cheia de entraves, possivelmente por que os conflitos de interesses (afetivos, emocionais, financeiros e de percepção de mundos são desconexos ou opostos) fazendo com que os membros familiares tenham muita dificuldade em perceber que as escolhas são pessoais e não possuem o objetivo de machucar o outro.

Um fator hoje muito forte que está fazendo as famílias se cindirem é a tecnologia através das mídias sociais. Inicialmente as mídias sociais enfraquecem os vínculos afetivos através da pobreza de comunicação que fica entre os membros e conseqüentemente, começa haver várias desavenças em função deste distanciamento provocado.

O que acontece nas famílias cindidas é que elas conseguem se relacionar entre si. Encontram-se divididos, dispersos. Funcionam e se relacionam como se, ao ficarem juntos, todos corressem riscos do ponto de vista emocional. Assim, as pessoas não podem ter um relacionamento afetivo ficando frias entre si. A doença dessas famílias cindidas está na dificuldade de convívio. Os membros percebem que ao conviverem entre si eles se machucam e se afetam negativamente, uns aos outros.

Superar esse modelo familiar não é algo fácil, principalmente porque eles possuem uma história que reforça este distanciamento. Outro desafio é encontrar este ponto de junção, não significa que todas as famílias precisam ser como as de propaganda de margarina, dificilmente

essa família existe, superar o paradigma da extrema felicidade e todos sempre unidos a qualquer custo é outra superação necessária. Família é o lugar sim onde deveríamos encontrar nosso porto seguro, se temos alguma dificuldade no mundo social, a família seria o lugar onde buscaríamos refúgio para minhas angústias, no entanto, as diferenças existem em qualquer lugar, inclusive na família, é lá que aprendemos a desenvolver nossa forma de dar e receber afeto. A incondicionalidade afetiva é algo que precisa ser estimulado nos filhos desde cedo, ou seja, ensinar aos filhos os amamos independentemente de qualquer coisa, não precisa fazer nada para que possamos amá-los mais, nem ficar com medo de fazer algo que fará amá-los menos e quando os repreendemos é por causa do comportamento e não por causa do afeto, isso parece óbvio, mas o que acontece é que não temos idéia do que o indivíduo está interpretando quando os estamos admoestando. Aprender isso é essencial em nossas vidas e ressignifica muito nossos valores no mundo externo. Inclusive que eu não preciso me separar, ou cindir à minha família por me sentir diferente, pois me amarão sempre, quanto mais cedo eu aprendo e sou estimulado a perceber isso, maiores são os vínculos afetivos que seguros em minhas relações. Pense nisso!

Espero que a leitura deste artigo tenha lhe ajudado, aproveite e mostre a um amigo que necessita de uma leitura mais apropriada ao problema que esteja passando. Caso queira contribuir com críticas ou sugestões a esta coluna de comportamento escrita por Leonardo Sandro Vieira é só contactar pelo 33-98818-6858 ou 3203-8784 ou pelo e-mail:leosavieira@gmail.com 
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Leonardo Sandro Vieira 
CRP-04/43298

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