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Mágoas, Rancores e Ressentimentos, por que é tão difícil se libertar?

Recebi um pedido de um amigo pelo instagram para falar sobre mágoas, rancor e ressentimento, o mais interessante é que na fala deste amigo ele comenta que odeia vitimismo não quer esse papel pra ele e leu muito sobre assunto e toca a vida pra frente, mas sempre parece que em algum momento sua mente pára e vem aquela dor de uma situação específica do passado como se fosse uma magoa, rancor ou ressentimento, mesmo que pela sua vontade não quisesse sentir essa sensação/sentimento.

E ai, isso já aconteceu contigo? Não se preocupe comigo já, sou um psicoterapeuta, mas sou humano, graças a Deus hoje me sinto liberto de muito das minhas mágoas, após anos, fiz minhas terapias,  consegui elaborá-las e deixá-las no lugar certo que cabe na minha vida, como uma vivência que naquele momento foi inevitável viver, doeu, chateou, marcou, mas aprendei a elaborar e deixar num lugar na minha memória onde não provoca mais dor e sim uma experiência que se pudesse não teria vivido.

Existe diferença entre o rancor, a magoa e o ressentimento, deixe-me explicar um pouco sobre esses sentimentos;

O Rancor é aquele sentimento não elaborado, mau resolvido e muito doído, ele também é chamado de mágoa, foi possivelmente na situação vivenciada e você não teve forças de tomar uma atitude de resolução ou não tinha o poder de modificar a situação, ficando inerte, sem muitas formas para agir, dessa forma, ficou guardando isso pra você e até mesmo com pitadas de culpa do tipo, por quê não fiz algo ou por quê deixaram isso acontecer comigo? Você fica ruminando a ação do outro porque considerou injusto, agressivo e desrrespeitavél, por um tempo esse sentimentos foram muito forte, mas com o tempo ( e muito tempo tende a diminuir) até mesmo porque a vida continua e você precisa tocá-la pra frente pra viver além  deles , e sua mente precisa da outros focos até mesmo como mecanismo de defesa para não ficar continuamente sofrendo, mas vira e mexe esse sentimento por ter sido modelado dentro de você vai emergir e te dar um olá, estou aqui, e te incomodo mesmo que você não queira.

O ressentimento é um passo antes do rancor é a emoção vivida na experiência primária que causou o mal-estar, com isso o re-sentir significa é sentir aquela dor (sensação) que às vezes a mente pode não identificar ao certo a origem, mas ir ao campo racional (cognitivo) em questão de segundos associa essa dor/sensação como aquele sentimento do passado deixando mais elucidado à mente o rancor/mágoa te fazendo lembrar o que significa essa sensação.

Acredito que a principal conseqüência quando não elaborado esse rancor e ressentimento é justamente em alguns momentos do presente sentir-se preso no passado, como se tudo tivesse caminhado você está vivendo outra vida melhor, tudo indo tão bem e de-repente você acorda lá passado dentro de uma jaula de sensações e sentimentos que o aprisionam de  pensamentos  te fazendo sofrer e você  se pega pensando:  isso já passou,  por que isso ta doendo assim? É aquele olá que mencionei lá em cima que o rancor faz questão de dizer nos mais variados momentos da vida.

Nossa mente é mestre em guardar situações e dor, estudos indicam que um dos motivos dela fazer isso é querer nos proteger no momento presente de outras situações parecidas do passado e assim termos uma ação mais assertiva, contudo, o que acontece na maioria das vezes não é isso, assimilamos de forma diferente e acabamos sofrendo com rancor, magoas e ressentimentos, podendo gerar outros sentimentos como; raiva, vingança, vitimismo, culpa,  entre outros.

E como lidar com o rancor, mágoas e ressentimentos? Sinceramente não pretendo aqui dar nenhuma fórmula mágica de “cura”, aliás a internet ta cheio dessas fórmulas com vídeos de mentores e analistas de comportamento e milhares de  pessoas curtindo acreditando na mágica da libertação do rancor e ressentimento. Mas como aprendi através de muita leitura e estudando na graduação, especializações em clínica e vivência profissional, é que, temos vários caminhos que podem ser percorridos, o ideal é que tenha a orientação de um profissional habilidoso porque esse caminho pode também ser difícil e dolorido mas ao final é possível sentir uma elaboração do sentimento de forma tal a não doer mais como antes e quando chegar ao pensamento (cognição) a racionalização será de tal madurez que o indivíduo não ficará ruminando com pensamentos disfuncionais  ou seja criando um ciclo vicioso de dor como antes. Entre essas orientações temos;

1ª orientação: SE possível (veja que tem um SE maiúsculo) tenha uma conversa aberta, com quem tem ofendeu e que o objetivo não seja humilhá-lo, e sim dizê-lo como se sentiu, naquela situação e que se por algum motivo ele acredita que você tem parte neste processo peça perdão mesmo que você não se sinta o responsável  pela situação, crie uma ambiente onde os dois possam se expressar dignamente.

2º Orientação – Aceite a sua inabilidade daquele momento de lidar com a situação, perdoe-se por não ser um super homem ou mulher maravilha, que sabe resolver tudo, aceite sua imperfeição, e quando que o sentimento vier, fale consigo mesmo:  eu aceito o que aconteceu, eu ……………. (seu nome) do passado eu não era obrigado a saber lidar com tudo, nem hoje sei se conseguiria lidar com essa situação como deveria, mas sei que a cada momento aprendo mais e possivelmente teria um comportamento mais maduro que antes. Eu me aceito como sou, essa orientação é muito válida pra quem sente culpa.

3ª Orientação – Se o sentimento ou pensamento vier naquele momento que você menos espera e você conseguir identificá-lo que faz parte dessas memórias rancorosas, fale pra você mesmo (sendo racional) , eu ok sentimento, entendi que você ta ái, mas não precisa ficar latejando assim, já entendo o seu sinal de não viver mais essa experiência no presente, pode deixar que vou fazer o máximo para ser mais assertivo agora, já entendi a sua mensagem muito obrigado, e  vá excluindo da mente o ciclo vicioso dos pensamentos disfuncional da raiva, culpa entre outros.

Espero que a leitura deste artigo tenha lhe ajudado, aproveite e mostre a um amigo que necessita de uma leitura mais apropriada ao problema que esteja passando. Caso queira contribuir com críticas ou sugestões a esta coluna de comportamento escrita por Leonardo Sandro Vieira é só contactar pelo 33-98818-6858 ou 3203-8784 ou pelo e-mail:leosavieira@gmail.com
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Leonardo Sandro Vieira 
CRP-04/43298

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