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O amor é realmente um sentimento que aguenta tudo?

Essa pergunta intrigante, perigosa e sentimental e complexa, não acham?!  Ela inicialmente coloca em xeque o sentimento do amor, mas já vou logo colocando em xeque outros pontos extremamente necessários para uma reflexão mais saudável, o que precisamos aprender a questionar mesmo é o “tudo”! O que esse “tudo” remete ser, se, esse amor nos remete a uma  relação de subjugação, ofensas e desrespeito, eu me pergunto se realmente é amor, pois o amor não foi feito pra desenvolver esse tipo de relação na vida das pessoas, ou seja, dificilmente o sentimento existente dentro desta relação é o amor, pode ser vários outros, inclusive afetos tóxicos, mas nomear tais comportamentos  como amor é muito perigoso. Devemos tomar muito cuidado com a visão hollywoodiana que muitos filmes nos trazem do “morrer de amor”.

De modo geral, as pessoas pensam no amor sempre de forma idealizada com uma visão romântica de  “tudo por amor”, mas na realidade cada vez mais as neurociências tem nos mostrado que não, não é tudo por amor, a ideia de tudo por amor, remete muito mais à paixão que é um sentimento muito mais eufórico, avassalador como também inibidor de racionalização e por isso muito com muito menos autocontenção no intuito de fazer  esse “tudo” por amor.

A razão (pensamentos regulatórios) acontecem em nosso cérebro na parte da frente (testa) onde está o córtex pré-frontal que termina seu desenvolvimento neurofisiológico próximo aos dezoito anos, já as emoções é algo primário, ou seja, vem desde quando criança mesmo quando não ela não sabe discernir o tipo e origem de sensações e sentimentos que está tendo. Em estudos baseados em compreender melhor as relações, o amor e a paixão, já foi dectado que o indivíduo quando está  apaixonado “usa menos” do sistema pré-frontal, como também  o próprio organismo libera outras sustâncias no corpo que em altas dosagens tem a mesma atuação de algumas drogas alucinógenas, portanto, ela pode perder a “noção” do que faz, e acaba verbalizando que está fazendo tudo por amor, compreende o perigo disso?!

É claro que precisamos de uma dose de paixão no início dos nossos relacionamentos para nos atrair ao outro, contudo estes mesmos estudos mostram que a paixão dura em média 02 anos, após esse tempo  a tendência é a percepção do indivíduo voltar “ao normal” e ir percebendo características do seu parceiro que antes não via a, daí o desencanto de alguns neste momento, e a compreensão do que está ficando desta relação que vai além da idealização ou projeção de algum comportamento no outro, compreendendo um sentimento mais genuíno que traz comportamentos relacionados ao cuidado e a um modelo de relação de casal que estão se nutrindo positivamente, funcionalmente e saudavelmente os seus afetos.  

Me lembrei agora de um versículo bíblico, que mesmo aos que não se consideram cristãos, vão perceber da singeleza o que o autor Paulo cita mesmo não sabendo nada de Neurociências, mas compreendendo do papel das emoções e sentimentos em nossas vidas, ele disse o seguinte;

“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha, não maltrata, não procura seus próprios interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade”. Dentro destes parâmetros apontados por Paulo ele finaliza “O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Compreende que ele aponta o caminho do que é este suportar? Por que se este dito “amor” está mais focado em seus próprios interesses, é rancoroso, ira com facilidade, gera inveja e provoca injustiça, a isto ele não suporta nem não foi feito para suportar.  Compreendeu a diferença? O amor coloca limites, mostra a verdade com cuidado, sabe esperar, dialoga e faz cresce juntos, para isso é necessário tanto o afeto quanto a razão em busca do desenvolvimento desta vida conjugal bem conjugada, isto não quer dizer ausência de conflitos  ou dificuldades, mas quer dizer em meio a destes conflitos e dificuldades que existirão ao longo da vida, a conjugação dos adjetivos sabiamente apontados por Paulo contribuirá para a solução da situação, o foco é no desenvolvimento da relação e não em si próprio, porque se for em si próprio o amor dificilmente irá suportar algo, pois o foco está no egocentrismo e não numa verdadeira relação conjugal.  

Espero que a leitura deste artigo possa tê-lo ajudado, aproveite e mostre a um amigo que esteja vivenciando uma situação parecida. Caso queira contribuir com críticas ou sugestões a esta coluna de comportamento, escrita por Leonardo Sandro Vieira, é só contactar pelo 33-98818-6858 ou pelo e-mail:leosavieira@gmail.com ou pelo nossos canais de interação no    https://linktr.ee/institutoaprendendoalidar

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Leonardo Sandro Vieira 
CRP-04/43298

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