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O que fazer com os sentimentos de angústia, medo e desesperança nestes tempos de pandemia e luto.

O medo, a angústia e a desesperança andam nos rodeando de tal modo que, talvez seja a primeira vez nesta que essa geração esteja sentindo algo tão forte e com uma abrangência social tão grande. São tantas notícias desafortunadas com desconhecidos, conhecidos, amigos e  familiares, doentes em função da pandemia, mortes e mais mortes, ainda  mais num mundo tão globalizado (notem que historicamente não tínhamos um processo de informação tão acelerado), então recebemos notícias pesadas de grande impacto desde de todos os lados através de várias mídias.

Desta forma, não são somente notícias ruins, mas, também, dolorosas que nos impactam e   desestabilizam nos fazendo sentir um vazio com o  pensamento de que nada não temos mais nada a fazer (desesperança), outros momentos bate de uma sensação de inquietude, tormento, aperto no peito (angustia) e também uma sensação desagradável de perigo está cada vez mais perto (medo).

 É só eu que já me peguei desta forma neste momento de pandemia? Ou já aconteceu com você também? Bom, pelo que estou observando está acontecendo com 90% senão 100% da população, alguns não sabem o que fazer ao entrar em contato com esses sentimentos e paralisam, outros choram, ficam emocionados, já outros fogem, tentam disfarçar como se nada estivesse acontecendo tentando impor um otimismo, e claro otimismo como efeito de fuga de realidade não funciona.  Então o que fazer quando tudo parece desabar? Quando parece que já temos mais forças pra lutar e a sensação de pânico vai nos tomando  como se fosse o fim? Aliás, há um ano pensávamos que hoje já teríamos esse “problema” da pandemia resolvido, e é justamente essa sensação de não acabar, que vai provocando essa fraqueza e desesperança, é como se não tivéssemos mais força pra continuar acreditando que em um momento tudo isso vai acabar, o pior, e muitas famílias chegou tão próximo que levou membros a morte, trazendo outra emoção mais dolorosa de sentir que é o luto, uma dor pela perda, pela ausência física e afetiva de alguém que tanto amamos. Aos que não sabem o luto é uma dor que precisa ser vivenciada, ele tem fases (extremamente dolorosas) e o seu tempo de duração é algo muito variável aos indivíduos, imagine que há família que perderam mais de um membro nesta pandemia!

Bom, como vocês podem notar também me incluí neste rol, onde praticamente todos nos sentimos mais vulneráveis diante o atual contexto social, só não sendo humano, ou um perverso, ou um psicopata pra não sentir uma dose a mais vulnerabilidade e medo neste momento. Se analisarmos sob um olhar antropológico, os sentimentos de medo e ansiedade são totalmente justificáveis e necessários ao momento, afinal se não ativarem  é porque tem algo errado com nosso arcabouço psíquico pois eles estão totalmente interligados à nossa função de auto-proteção, o grande problema é quando eles estão tão ativados provocando sofrimento e angustia, isso significa que já  tornou-se algo patológico e esse momento tem causado isso conosco. Vale lembrar que, não é incomum que quando o sofrimento e angustia são ativados eles costumam trazem outras histórias das nossas vidas com sensações parecidas isso torna o sofrimento ainda mais intenso, o caos do mundo externo, ativa todo o caos interno, e um revira o outro.

O que fazer com essa angústia e esse medo? Primeiramente não os recrimine, os  reconheça, faça reflexões sobre o que esses sentimentos querem realmente te dizer, do tipo; “Esse sentimento de perda é bem parecido ao que vivi em tal experiência em minha vida, naquela época foi muito difícil eu aprendi a lidar de tal forma, agora sinto-me de forma parecida” ou seja, qual o significado deste sentimento na sua experiência de vida de acordo com momento atual? Outro ponto é, saber diferenciar o reconhecer que tem medo de outra coisa totalmente diferente que é dar lugar ao medo alimentando-o dando mais espaço para que ele se engrandeça dentro de você tornando um monstro e peso cada vez mais difícil de carregar.

Uma estratégia inteligente é saber compartilhar o medo é de esvaziar-se, isso não é ficar falando dele o tempo todo, as estratégias que temos de esvaziamento é compartilhar com pessoas que percebemos que tem sabedoria e sabem ouvir, praticar meditação ou uma leitura de ajuda na área.

 Traga a sua memória aquilo te dá esperança, trabalhe a razoabilidade dos seus pensamentos para não entrar no ciclo do medo e ansiedade, pergunte-se; essa pandemia terá fim? Bom, não sou Deus, nem pretendo ser, ai de mim, como simples mortal que sou, mas, algumas temos pistas para responder essa pergunta;

1º Não é a primeira pandemia mundial – Historicamente a humanidade vivenciou outras pandemias  e também ficou sem esperança acreditando que nunca ia passar, mas passou, não sabemos ao certo quando tudo isso vai acabar, mas de uma coisa sabemos nada é eterno, então um momento ela terá fim, é claro que as políticas publicas contribuem muito para esse processo, mas não é nosso objetivo adentrarmos nestas questões neste artigo.

 2º Apesar das mutações do vírus, estudos mostram que a letalidade é de até 05% – Contudo, há uma grande diferença de 05% de 100 para 1.000.000 quanto mais pessoas infectadas maior o numero de óbitos, por isso os números estão nos assustando, o que não significa que vamos banalizar os números, se fosse somente 01% já seria perigoso, já era o suficiente para nos fazer sentir tristes, ainda mais com o colapso com a rede hospitalar que estamos vivenciando nos deixando mais vulneráveis, mas, olhando desta perspectiva a letalidade é menor, por exemplo,  alguns tipos exemplo de câncer, e a ciência tem se debruçado neste momento a estudar e compreender cada vez mais esse vírus.

3º Ainda que da que tardiamente, estamos recebendo as vacinas – Tudo indica que, de agora em diante o processo de vacinação tende a acelerar um pouco mais a sua chegada, e,  infelizmente, antes devagar que sem nada de vacina, como estávamos antes. Acredito que esses pontos devem ser racionalizados como a ativar a nossa esperança.

4º – Compreenda sua ansiedade e medo  e os use a seu favor como um real mecanismo de auto-proteção e não de paralisação da vida.

5º – Encontre formas seguras de interação social  e viva socialmente, os vínculos  seguros e saudáveis nos fortalecem e muitos ainda mais em momentos de fragilidade, não se isole emocionalmente.

6º – Use a criatividade dentro de casa, abuse da convivência familiar como suporte emocional.

7º Cuidado com excesso de informações negativas, você já sabe o que está acontecendo, busque saber somente o necessário, o excesso de informação negativas, só serve para reforçar os sentimentos e pensamentos de medo, angustia e desesperança que vimos anteriormente.

E por último, apesar do difícil momento é possível diminuir essas sensações desagradáveis sem desvalidar a dor do outro e inclusive tendo mais condições emocionais de ajudá-lo  para fazer isso, precisamos aprender a cuidar mais da gente, afinal, amemos o próximo como a nós mesmo, não é isso que aprendemos, mas como cuidar do próximo se eu não sei me cuidar? Um grande abraço, com afeto, fé e esperança na luta em conjunto do que tenta nos amedrontar. Sempre nos fortalecendo e dando suporte mutuamente conseguiremos vivenciar de forma menos dolorosa esse momento.

Espero que a leitura deste artigo tenha lhe ajudado, aproveite e mostre a um amigo que necessita de uma leitura mais apropriada ao problema que esteja passando. Caso queira contribuir com críticas ou sugestões a esta coluna de comportamento escrita por Leonardo Sandro Vieira é só contactar pelo 33-98818-6858 ou 3203-8784 ou pelo e-mail:leosavieira@gmail.com
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Leonardo Sandro Vieira 
CRP-04/43298

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