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Orientação a pais com filhos adolescentes com tendência a ansiedade.

Adolescer não é algo fácil, afinal, este é um período de transição que propicia várias sensações e experiências. Do latim a palavra adolescer significa crescer, atingir a maturidade, nesta fase somos impulsionados a mostrar nossa personalidade e a buscar o amor na forma do reconhecimento  e realização social, essas ações não são algo tão simples assim de demonstrar até mesmo porque a nossa personalidade e identidade sócio-cultural ainda estão em formação, sem contar as outras situações conflituosas que podem surgir neste período ligados à sexualidade,   mudanças  hormonais, pressão das atividades escolares, estresse pós traumático e até um possível transtorno mental, esse e vários outros fatores podem desencadear descontroles comportamentais  como por exemplo o TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada. 

Ser pais de adolescentes também não é algo fácil, exige muito manejo para compreender a melhor abordagem a  ser desenvolvida com cada filho, pois cada um exige uma forma mais habilidosa a se tratar. Conversando com pais no dia a dia, sempre pergunto se eles nasceram com bula, com orientações de como lidar consigo mesmo, normalmente falam que não, e novamente faço outra pergunta, se você não nasceu com bula, seu filho nasceu? Então porque se culpa por estar perdido? A culpa mais atrapalha neste momento do que ajuda, um ponto é fato, ficamos angustiados com cada situação que pode surgir em função do que a ansiedade causa em nossos filhos.

Cuidar de uma outra “pessoinha” que está toda confusa na vida, tentando se conhecer  e está perdido exige muita atenção e energia, por isso,  não há receitas pronta, o que sabemos na realidade é que a vivencia, afeto e disciplina ´são 03 ingredientes que ajudam muito nesta fase da vida, e não precisa se sentir falhos, frustrados em momento algum, erros acontecerão de ambas as partes, mais vale reconhecer, trazer como aprendizagem e buscar uma forma mais assertiva do que ficar parado se martirizando , como toda fase, a adolescência passa e se tiver cuidado e afeto e disciplina, vencerão as  turbulências deste momento.  

Segundo o  DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais IV), é um distúrbio associado a “preocupação excessiva ou expectativa apreensiva”, mas tomemos cuidado antes de autodiganóstico ou a imposição do diagnóstico ao seu filho, inicialmente não é porque  o seu filho é inquieto, não sabe esperar por suas respostas  ou  fala o tempo todo que significa que ele tem TAG. Talvez é porque esteja precisando de limites mesmo. Consideramos TAG quando o comportamento se torna patológico (ou seja se instala de  forma constante e prolongada  na vida de qualquer pessoa inclusive o adolescente) interferindo negativamente na sua vida prejudicando ou impedindo o desenvolvimento de suas atividades. Neste contexto vamos a algumas orientações que podem auxiliar os pais no trato quando perceberem que a ansiedade faz parte do cotidiano do filho. 

1º – Transforme julgamentos em orientações – Estimule seu filho a falar sobre seus sentimentos e sensações contigo, se ele está ansioso ou estressado ele precisa de uma referência para norteamento das suas ações, por isso saber que você está todo o tempo disponível já ajuda a diminuir um pouco a ansiedade.  Estimule-o com frases como: “Talvez você esteja passando por um momento difícil, ou tenha um assunto muito difícil de conversar, estarei ao seu lado para ouvi-lo sempre, lembre-se que te amo e quero muito te ajudar de alguma forma, confie em mim mesmo quando se sentir errado, posso até não aprovar e você não aprovar a minha não aprovação, mas pelo menos se abra comigo porque eu não vou te desamparar sou pai, sou mãe.  o mais importante neste momento é que o seu filho sinta um porto seguro em você mesmo que ele saiba que você não o aprova mas sabe que você tem um amor incondicional (afeto) e sabe que afeto e disciplina andam juntos. Para isto, reconheça seus sentimentos não desconsiderando o que seu filho está sentindo e crie um ambiente sempre aberto para que diálogos saudáveis aconteçam

2º Ensine o filho a solucionar os próprios problemas – Ajudar os filhos no processo de solução dos seus próprios problemas trazendo-lhes independência (orientada) e autoconfiança ajuda-os muito no processo de controle da ansiedade. Momentos difíceis nos acompanham por toda a vida, quanto mais hábil seu filho aprender a ser na solução dos problemas pessoais, mais autoconfiante se tornará. Para isso você deve ensiná-lo a identificar o problema com um pouco mais neutralidade (sem excesso de sentimentos, algo não tão fácil a fazer), para isto liste as possíveis formas de lidar com este problema as consequências destas e as diversas formas de solucionar, assumir as consequências  das escolhas feitas. É importante também ensiná-lo que nem sempre tudo sai como pensamos, por isso devemos refletir sobre a solução do problema o que funcionou e o que não funcionou para ver como agir em situações futuras similares.

3º Não rotule seu filho negativamente – Não rotule seu filho como ansioso, tímido, nervosinho, caladão,  além de já reforçar um estereótipo que muitas vezes reforçará o padrão de comportamento que já se tem, muitas vezes tira da sua percepção a possibilidade de vir a ser algo diferente daquilo que se é no momento. Se você quer realmente ajudá-lo identifique momentos no dia a dia de superação das suas dificuldades e mostre-o quanto foi forte, lutador, persistente na luta da superação do seu conflito. 

4º Ensino o filho a ter pensamentos mais positivos – Muitas vezes  o  TAG Transtorno de Ansiedade Generalizada vem acompanhada de uma série de pensamentos desajustados (disfuncionais= que traz consequências negativas no dia a dia) principalmente no momento da crise, isto porque sua percepção está desajustada ou hipersensível  com a realidade, neste momento ele (ou até a família) pode   precisar de apoio para ajudar a combater seus pensamentos negativos. Para isso ajude-o a identificá-los mostrá-los o outro lado da realidade e pensar em ações positivas possíveis para a situação.

5º – Busque a ajuda de um terapeuta – Não é incomum filhos adolescentes não ouvirem os pais (principalmente se ele já os vê como inquisidores no dia a dia) isso além de prejudicial não os ajuda no relacionamento diário. Mesmo quando os filhos vê os pais como facilitadores da resolução dos seus  conflitos torna-se essencialmente  necessário a contribuição de um especialista  quando a ansiedade passou a ser parte da vida de qualquer pessoa através do TAG, pois ela pode vir acompanhada de outros transtornos como depressão, distimia, drogas, álcool entre outros. Um profissional da área da saúde como Terapeuta e/ ou médico pode ajudar com mais assertividade na resolução das situações vivenciadas.

Espero que a leitura deste artigo possa tê-lo ajudado, aproveite e mostre a um amigo que esteja vivenciando uma situação parecida. Caso queira contribuir com críticas ou sugestões a esta coluna de comportamento, escrita por Leonardo Sandro Vieira, é só contatar pelo 33-9881868589 ou pelo e-mail:leosavieira@gmail.com ou pelo nossos canais de interação no    https://linktr.ee/institutoaprendendoalidar

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Leonardo Sandro Vieira 
CRP-04/43298

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