Blog, Comportamento

Por fora feliz, por dentro socorro. Uma construção social.

Existem pessoas que entre amigos se mostram sempre felizes e sorridentes, em alguns momentos são até capazes ser o centro das atenções com suas piadinhas e indiretas, contudo, quando estão sozinhas se sentem tristes, com vontade de sumir, muitas necessitam de drogas para sentir um alívio para a dor e angústia que sentem no fundo do peito. Você conhece alguém assim? Mais triste do que conhecer pessoas assim é você ser uma destas pessoas.

Tenho recebido muitas pessoas com características semelhantes em meu consultório, colegas de profissão também relatam casos como este com grande prevalência na atualidade. Será um surto de pessoas com transtorno de humor e depressivas? Ora muito felizes, ora muito tristes?

Em seguida apresento 05 características da nossa sociedade que acredito ser “gatilhos” para que fenômenos similares a este tenham grande ascendência entre nós.

1º Vivemos em uma sociedade líquida: O termo sociedade líquida é construído e utilizado pelo sociólogo Zygmunt Bauman para caracterizar o modelo de relação da sociedade pós moderna, uma sociedade marcada por uma corrente de incertezas onde o sujeito não tem nenhum referencial para construir a sua vida a não ser nele mesmo, nada é fixo, tudo é infinitamente transitório não deixando um espaço mínimo para que o homem possa ancorar seus anseios, medos, crenças, afetos e desafetos, tornando-se muito difícil construir vínculos afetivos pois tudo é transitório.

Como atuar neste contexto: Esforce-se para construir relações realmente saudáveis em sua volta, sendo assim convide mais amigos da rua, do trabalho e familiares para cafés da tarde ou fazer aquele churrasco você tanto gosta e aproveite este momento para conhecer melhor quem está ao seu lado, fazendo isto você estará criando e consolidando melhor seus laços, sendo parte de um grupo com o qual se identifica e não um perdido no mundo em função do trabalho. Não troque relações verdadeiras por redes sociais!

2º Vivenciamos a sociedade do Prazer imediato e da sua exibição:  Hoje o principal critério que as pessoas utilizam em suas tomadas de decisões é o prazer, se 02 amigos(as) estão conversando e um conta ao outro um problema a principal pergunta que o amigo(a) faz ao aconselhar é; você está feliz? Ou isso te fará feliz? Porque isso é o que importa amigo(a). As pessoas vivem em função do hedonismo (deus hedon=deus do prazer da mitologia grega), o prazer tornou um bem supremo, elas gastam suas economias com a busca do prazer imediato principalmente para compensar o afeto e laços que não possuem sem pensar nas possíveis consequências.

Como atuar neste contexto: Analise com maior critério o que acontece em sua volta, nem sempre o mais prazeroso é o que deve ser feito, há outros valores, afetos e circunstâncias que precisam medidos e colocados em mesa, como; o respeito, o cuidado, o amor, a moral entre outros, e porque não também a felicidade e o prazer? Eles, só não podem ser o fim único do ser humano.

3º Nossa sociedade privilegia o ter ao ser: Cada vez mais submetemos nossas relações interpessoais (da família e do trabalho), no imperativo do consumo, do poder e do dinheiro. As relações são desenvolvidas sempre focando o utilitarismo proporcionado pelo dinheiro, o poder e o status. Quando uma relação tem este viés de entrelaço ela não consegue transferir ao outro a segurança de um afeto digno para que se mantenha pelo tempo. O amor, o cuidado, o respeito, e a fidelidade, não se mantem dentro de uma relação baseada no ter.

Como atuar neste contexto: Avalie o que tem sido importante para você, o que na prática você tem valorizado, separe momentos específicos para estar por completo dentro das relações que você possui não esquecendo que, sempre é possível desenvolver novos relacionamentos baseado no que o outro é e necessita e não pelo que ele pode te dar.

4º Os pais tem imensa dificuldade de apresentar/permitir frustrações aos filhos:  Este é um ponto muito melindroso nos dias atuais, nos transformamos numa geração pouco analítica e extremamente emocional, onde o sucesso sempre é a narrativa principal da vida do sujeito. Deste modo está crescendo uma geração com muita dificuldade em escutar os “nãos” necessários da vida, e assim, ao tornar-se adulto sofre ao extremo com as dificuldades naturais da vida, sendo pouco habilidosos e competentes em transpor essas dificuldades em razão de não saber como agir ao se sentirem frustrados.

Como atuar neste contexto: Se você é um pai ou mãe muito durões e pouco presente, se esforcem em investir mais tempo para compartilhar das experiências de vida dos seus filhos e ensinar-lhes como agir e sentir mediante as situações vivenciadas. O ensino não precisa ser recheado de “nãos” mas ao perceber a necessidade apresente-o e seja coerente com a disciplina aplicada à idade da criança.

 5º Não fomos ensinados a falar sobre emoções: Realmente falar de emoções não é algo tão fácil, ainda mais quando não fomos ensinados a expressá-las. Como você vai comunicar ao próximo o que se passa com você sem posicionar-se sempre como um coitadinho, e, se você não compreende o que se passa dentro de você, dificilmente saberá manifestar o verdadeiro sentimento que passa contigo.

Como atuar neste contexto: Essas habilidades podem ser estimuladas dentro de casa, principalmente quando o casal investe tempo com os filhos brincando e percebendo os olhares, inquietações e sensações aos filhos para oferecer-lhes de modo pedagógico, orientações sobre como compreender, expressar e comportar em cada situação, seja em casa, na escola ou com os amigos da rua. Quando adulto, procure momentos a sós pergunte a sí mesmo porque está com medo, ansioso e nervoso e qual seria a melhor forma de expressar seu sentimento a pessoa foco para que possam resolver da melhor maneira possível respeitando as diferenças de pensamento.

Nosso próximo artigo terá um tema parecido “por dentro feliz, por fora socorro” mas, o foco será as características psíquicas do indivíduo que assim sente. Nos encontramos lá.

Espero que a leitura deste artigo tenha lhe ajudado, aproveite e mostre a um amigo que necessita de uma leitura mais apropriada ao problema que esteja passando. Caso queira contribuir com críticas ou sugestões a esta coluna de comportamento escrita por Leonardo Sandro Vieira é só contactar pelo 33-98818-6858 ou 3203-8784 ou pelo e-mail:leosavieira@gmail.com 
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Leonardo Sandro Vieira 
CRP-04/43298

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