Blog, Comportamento

Por onde e como começa essa danada mudança que tanto almejamos?

Olá pessoal, hoje gostaria de conversar um pouco sobre o processo de mudança, essa bendita mudança que, inicialmente percebo que na maioria das vezes esperamos que aconteça mais nos outros que em nós mesmo,  é incrível como muitos pacientes da clínica ou pessoas no dia a dia me perguntam sobre como mudar o outro, ou mudar a vida ( referindo a vida na 3ª pessoa, como se fosse algo separado dela)  querem sempre mudar o  esposo(a), amigo(a), pai, mãe, irmão, irmã, colega de trabalho enfim, às vezes fico me perguntando que necessidade é esta que temos de, sempre  “adaptarmos” o outro ao nosso modo de ser.  Muitas vezes quem precisa mudar é nós mesmos, inclusive pra aceitar que o outro é como é, e, a forma como vou interagir com este modo de ser do outro é uma decisão minha, mas não sou eu que irei mudá-lo.

Outro ponto importante é, a entrada para a chave da mudança é interna, então ninguém muda ninguém? É sério Léo? Você psicólogo dizendo isso?! Sim, reforço, ninguém muda ninguém. Para que aconteça alguma mudança no repertório de comportamento de uma pessoa, é necessário que algo tenha “acontecido” na sua emoção, por isso  precisamos primeiro conhecermos o outro, compreender suas emoções, para poder ressoar ou espelhar algo que está acontecendo dentro dela e que ainda não percebeu e neste processo do outro se reconhecer/identificar através de uma escuta ativa e terapêutica o indivíduo se coloca a estar mais atento às  suas nuanças e assim elaborá-las compreendendo o que precisa fazer para viver uma vida de forma mais saudável a mudar e mesmo assim, esse processo de apreender um novo repertório de pensamento, sentimentos e comportamentos não acontece de uma hora pra outra é necessário tempo, sinceramente tenho medo de mudanças feitas de de-repente, percebe que esse processo quem se permitiu mudar foi o próprio indivíduo? O máximo que conseguiremos fazer com conhecimento, técnica e sensibilidade é auxiliá-lo neste processo.

Referindo-se à palavra mudança, me lembro de um texto de Rubem Alves que era um teólogo, filósofo e psicanalista. (Ah, Rubem Alves, como você faz falta, ainda bem que temos seu legado) Neste texto ele faz analogia sobre mudança e o milho de pipoca que nos ajuda muito a compreender que essa bendita mudança não é algo fácil (normalmente acontece em meio a uma dificuldade da vida, não que a dificuldade da vida mudou a pessoa, mas se  o indivíduo se permite ele pode aprender com a situação vivenciada ele não se transforma em pipoca, fica um piruá que é um tipo de milho ,outro ponto pontuado é , essa mudança começa de dentro pra fora,  pra finalizar ele utiliza o termo transformação que me remete a metamorfose e não a algo que muda de assim do nada) vou compartilhar esse texto que  mexe tanto comigo, vamos lá;   

“Como o milho duro, que vira pipoca macia, só mudamos para melhor quando passamos pelo fogo: as provações da vida.

A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por que devem passar os homens, para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, mas que, pelo poder do fogo, podemos, repentinamente, voltar a ser crianças!

Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. O milho de pipoca que não passa pelo fogo, continua a ser milho de pipoca. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira.

O fogo é quando a vida nos lança em uma situação que nunca imaginamos. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre.

Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão – sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso dos remédios que apagam o fogo. Sem fogo, o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação. Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro, ficando cada vez mais quente, pense que a sua hora chegou: “vou morrer”.

De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Mas subitamente, a transformação acontece: pum! – e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.

Mas existem pessoas PIRUÁS que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: “Quem preservar a sua vida, perdê-la-á.” – A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém.
Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás, que não servem para nada. Seu destino é o lixo. Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira…”

Bom, queria abordar muitos pontos ainda, mas sinceramente, Rubem Alves consegue comunicar com pouquíssimas palavras um conteúdo com muito significado forte, então, leia e releia pode fazer muita diferença em sua vida, se você se permitir.   

Espero que a leitura deste artigo possa tê-lo ajudado, aproveite e mostre a um amigo que esteja vivenciando uma situação parecida. Caso queira contribuir com críticas ou sugestões a esta coluna de comportamento, escrita por Leonardo Sandro Vieira, é só contactar pelo 33-98818-6858 ou pelo e-mail:leosavieira@gmail.com ou pelo nossos canais de interação no    https://linktr.ee/institutoaprendendoalidar

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Leonardo Sandro Vieira 
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