Blog, Comportamento

Por quê os relacionamentos estão ficando cada vez mais “vazios”?

Olá pessoal tudo bem? Aqui estamos nós em nossa coluna de psicologia neste 2022, um espaço elaborado para, pensarmos sobre os nossos comportamentos e sua interrelação na sociedade em que vivemos, trabalhar nossa saúde mental em meio os diversos desafios pessoais e os já existentes da humanidade, espero que neste ano possamos colher bons frutos neste espaço, que possa chegar a mais pessoas e que principalmente possa impactar positivamente a vida dos nossos leitores trazendo a reflexões que promovam a comportamentos psicossociais mais saudáveis.

No último fim de semana fui pego com uma dúvida muito interessante feita por uma seguidora das nossas redes sociais perguntando, doutor Leonardo (só pra lembrar pessoal, dispenso o doutor, não há necessidade nenhuma deste pronome de tratamento, aliás ainda não sou doutor, estou fazendo doutorado e mesmo que já tivesse terminado não há necessidade relacionarmos desta forma, já estou comentando aqui porque não é a primeira vez que acontece  em redes sociais ou em consultório, não é nenhum pecado ser chamado de doutor sei que é um cuidado, contudo, eu prefiro não ser chamado assim, simplesmente por perceber que, para muitos causa um certo distanciamento, e na minha profissão como psicoterapeuta o que não quero promover é a ideia de distanciamento, só isso, não é nada contra doutores, pelo contrário são dignos de todo respeito em qualquer profissão que atuam)  continuando a pergunta, “Leonardo por favor me ajude a compreender  porquê os relacionamentos estão durando cada vez menos ou por quê as pessoas parecem não querer mais relacionamentos de forma verdadeira, é como se quisessem relacionamentos vazios,  é assim mesmo ou estou entendendo errada ou tendo uma visão negativa do mundo?

Nossa, vocês não tem ideia das inúmeras possibilidades de respostas que me veio em mente para respondê-la, entretanto seria muito extenso, respondi de maneira mais objetiva possível, não escrevi um “textão” como este, mas gostaria de aproveitar o espaço da nossa Coluna do Jornal da Cidade para trazer uma reflexão aos nossos leitores pois acredito que também seja o pensamento ou dúvida de muitos.

1º  Reflexão – Já parou para pensar que nossa sociedade tudo está praticamente sendo feito para que não dure muito tempo?  Pare e olhe tudo ao seu redor, lembra aquele discurso que ouvíamos antigamente que as “coisas” duravam mais? Sim, isso é verdadeiro, existe até um termo técnico para isso  que é “obsolescência programada”  ou seja, os produtos são feitos para durar por menos tempo ou funcionar com menos eficiência depois de um determinado período, desta forma a ocorre uma insatisfação do consumidor e ele passar a adquirir outro produto mais novo, moderno, bonito e assim fazer a máquina da economia girar e descartar o antigo, sem que haja muito apego. (Algo te parece familiar?)

2ª Reflexão – Já percebeu que estamos cada vez mais impacientes? Tudo tem que ser pra ontem? Observe o número de produtos feitos para que as soluções sejam instantâneas, macarrão, tecnologias e até casas, se um amigo não responde uma mensagem em 02 minutos ficamos impacientes. Foi só um aplicativo colocar a possibilidade de ouvir as respostas em modo acelerado que a maioria das pessoas passaram a utilizar e dizer que, parar para ouvir mensagens de áudio com mais de 3 minutos significa perder tempo e ser cansativo.  

3º Reflexão – Qual o tempo temos tirado para desenvolver nossas relações? Pare e pense quanto do seu tempo você dedica às relações em sua volta para que elas sejam saudáveis, e não puramente superficiais ou somente “profissionais”. Quantas vezes você fez um bolo e separou um pedaço para o colega de trabalho, vizinho ou familiar, quando ligou pra saber para alguém que você conhece está bem? Quando ofereceu socorro, ajuda? Ou falou que estava sentindo falta.

Bom, dentro desta análise de cunho mais social, percebemos algo já relatado pelo sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman para definir a atual sociedade, ele analisa e define as relações e comportamentos rápidos e fluidos do mundo atual, nomeando esta sociedade como modernidade liquida 

Consegue perceber como o modelo do mundo que vivemos tende a nos levar a um modelo de “relacionamento vazio” com poucos vínculos? Sem contar, quando não alguns de nós sofrem algum tipo de aversão a diversas formas de relacionamento, podemos perceber isso quando ouvimos “pessoas são ruins”, “o mundo é muito mau” quando ouvimos ou falamos tais frases reforçamos a ideia que não devemos nos envolver muito pois pode ser perigoso. Nisso, você acabou de ver um exemplo de como o social influencia em nossa saúde mental, através da generalização de ideias baseadas em um comportamento exclusivo, é claro que devemos ter cuidado  o mundo está cheio de pessoas perigosas, mas, não quer dizer que todas as pessoas do mundo são ruins, quando fazemos isso estamos fazendo um processo de generalização, pego um modelo de pensar e acabo tornando comum a tudo.

É necessário compreender que para desenvolver um relacionamento gostoso e “cheio” é necessário ir de contramão ao modelo cultural que nos rodeia, é necessário saber DEDICAR TEMPO DE QUALIDADE com quem se relaciona para desenvolver  COMPROMISSO e INTIMIDADE. Queridos pode parecer algo muito simples, mas é realmente não é nada fácil para nós que estamos inseridos nesta atmosfera global do individualismo, do crescimento profissional, financeiro e solidão, acabamos não desenvolvendo em nós algo tão rico que são nossas habilidades socioemocionais e por fim vamos criando um modelo mental de escassez acreditando que realmente estamos inserido num mundo vazio.

Experimente fazer a diferença em sua volta, já dizia Exuperry “Tú te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Cative alguém, dedique tempo, tenha compromisso, busque desenvolver intimidade “respeitando limites” é claro, você verá que, “em terra de egos quem vê o outro é rei.”

Espero que este texto possa contribuir de alguma forma positiva o desenvolvimento da sua vida, ou de um familiar ou amigo, por isso, se tiver gostado mostre ou repasse a alguém que considerar necessário. Caso queira contribuir com críticas ou sugestões a esta coluna de comportamento, escrita por Leonardo Sandro Vieira, é só contactar pelo 33-9881868589 ou pelo e-mail:leosavieira@gmail.com ou pelo nossos canais de interação no https://linktr.ee/institutoaprendendoalidar

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é Leoperfil-2.png
Leonardo Sandro Vieira 
CRP-04/43298

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *