Comportamento

Socorro, onde estão nossos pais?

Não é nada fácil escrever o artigo de hoje, isso porque, além de profissional sou esposo e também pai de dois filhos, Pedro Leonardo e Maria Sofia, sei dos desafios diários que temos de dar conta de todas nossas responsabilidades sem perder a função de pai, no entanto, sinto uma grande necessidade de compartilhar minha percepção profissional sobre o papel dos pais na educação de filhos na atualidade.

Sei que temos uma nova geração de pais cada vez mais presente na vida dos filhos, isso além de uma grande evolução é também uma tomada de consciência do verdadeiro papel de um pai assumindo um espaço que nunca deveríamos ter deixado, no entanto, ainda há uma grande parcela de homens que não estão dando conta de perceber o gargalo afetivo, emocional e de modelo de uma paternidade positiva na vida dos seus filhos.

A nós homens, não fomos ensinados o ato do cuidado. Desde a tenra infância essa habilidade é totalmente focada à mulher com suas bonecas (e ainda bem que pelo menos a ela foi ensinada essa habilidade), fomos pouco estimulados às habilidades da atenção e carinho ao próximo. Talvez por isso muitos garotos quando visto como um pouco mais sensibilidade são interpretados com uma certa feminilidade, que trágico! Remeter somente à mulher essa característica tão essencial à nossa sobrevivência.

Bom, o resultado disso é que as mães ficam muito mais presente durante todas as etapas de vida dos filhos, elas estão presente nas reuniões da escola, nas brincadeiras dentro de casa e no quintal, na ida ao shopping, no cinema, na loja pra comprar roupa, nas viagens de férias, no consultório, do médico, dentista e do psicólogo (só vejo mães trazendo filhos ao consultório) e uma pergunta única, onde estavam os pais destas crianças em todos esses momentos?

A resposta mais comum que ouço é, trabalhando, sei muito bem o que é isso, pois, muitas vezes por mais que eu queira e me esforçando muito não consigo participar de alguns momentos da vida dos meus filhos, costumo dizer à minha esposa que ela está com a melhor parte, mesmo que, na maioria das vezes pareça a mais pesada.

Já ouvi pais em consultório dizer que a vida da esposa é mais fácil porque não trabalha cuida dos filhos, será que ? Criança não dá trabalho? Cuidar de casa não dá trabalho? Fazer tudo que mencionei no cotidiano dos filhos e ainda abrir mão da carreira por um tempo em função da maternidade não é suficiente? A intenção do artigo de hoje não é fazer uma defesa às mulheres e sim trazer em nós homens a seguinte pergunta, até quando nós pais vamos renegar nosso papel de responsabilidade na afetividade, presença e orientação dos nossos filhos?

Quando há um fim de semana com a família os pais passam a maior parte do tempo no celular, não conseguindo dizer não ao trabalho ou vendo jogos, ou nas redes sociais, mas à família é sempre mais fácil dizer sim a sua ausência. Há famílias que sempre mendigam a atenção do pai. Não é incomum em clubes ver as mães com os filhos durante todo o dia e o pai ao invés de aproveitar sua família, diz que, agora precisa relaxar, beber, nadar, jogar futebol, faz tudo para o seu prazer e o mínimo do tempo com sua família.

Não é nosso papel ao ajudar nossas esposas é nosso papel assumir nossa responsabilidade como pais, o mundo masculino não é nada fácil (e não é mesmo, tal como o das mulheres não é) mas nessa correria não paramos pra perceber o quanto estamos sendo omissos e ausentes nas etapas de desenvolvimento dos nossos filhos. Pensamos que o dinheiro, uma casa linda, irá suprir tudo, até o tempo com uma presença de qualidade e os valores que podemos transmitir aos filhos, deixar de estar presente em algum momento específico ou outro totalmente normal, mas durante boa parte da vida dos filhos é algo irreparável.

Ao atender filhos no consultório e perguntar sobre a presença dos pais e mães em suas vidas, muitos não conseguem relatar os variados momentos que as mães estiveram presentes (mesmo aquela mãe que trabalha muito), mas ao perguntar sobre os pais poucos lembram dessa presença tão significativa. Muitos chegam a lacrimejar os olhos tentando buscar algo na memória que desse ideia da presença de um pai demonstrando cuidado, segurança, carinho e atenção, não encontrar isso é algo muito doloroso ao indivíduo.

Se os pais bem soubessem a importância, a dimensão e o valor da sua presença na vida dos filhos na formação da personalidade e da sexualidade não deixariam essa responsabilidade tão exclusivo assim às mães. O pai da psicanálise, Sigmund Freud, além de outros autores dissertaram sobre esse fenômeno de modo exaurido ao falar sobre as fases do desenvolvimento de uma criança e do complexo de édipo. O que nós pais precisamos ficar atentos é, qual o verdadeiro legado queremos deixar aos nossos filhos? Como gostaríamos que eles lembrassem de nós? Como faremos para marcar de modo positivo as suas vidas? É claro que não é sendo permissivo ou bonzinho o tempo todo (o que muitos fazem tentando compensar a culpa da ausência, ou ora sendo duro demais por não conhecer a melhor estratégia para lidar com eles) mas, trabalhando muito para termos como sustentar nossas casas e tão quanto isso, tendo a consciência tranquila de que temos conseguido vivenciar cada etapa da vida dos nosso filhos, atuando como um agente ativo na formação do caráter e atendendo suas necessidades afetivas, físicas, sociais e espirituais.

Espero que a leitura deste artigo tenha lhe ajudado, aproveite e mostre a um amigo que necessita de uma leitura mais apropriada ao problema que esteja passando. Caso queira contribuir com críticas ou sugestões a esta coluna de comportamento escrita por Leonardo Sandro Vieira é só contactar pelo 33-98818-6858 ou 3203-8784 ou pelo e-mail:leosavieira@gmail.com  
Leonardo Sandro Vieira
CRP-04/43298

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