Blog, Comportamento

Vida de bancário, é preciso aprender a enxergar além do que se vê num Caixa.

E de – repente,  uma grande surpresa surge, muitas vezes não foi a profissão sonhada, mas, o que não se pode é perder a oportunidade de ter um serviço com um prestígio social tão grande, a de ser bancário ou formalmente chamado escriturário, quer seja por meio de concurso público ou de um processo seletivo de uma instituição privada.  Das maravilhas sonhadas temos, a possibilidade da estabilidade e a ascensão profissional trazendo uma melhor condição de vida. Mas, o que se passa na vida destes homens de calça e camisa social e mulheres de vestido de tubinho opaco e salto alto que estão atrás de um caixa dentro de um banco, vão muito além dos nossos olhares simplistas visto no dia a dia.

O objetivo é aqui é evidenciar uma parte da realidade vivenciada pelos profissionais deste segmento,  apontando  os fatores causadores de angústia que não são percebidos facilmente, tanto é que ainda são escassos estudos no Brasil voltados a este público. Quando se fala em danos à saúde do trabalhador, as pessoas associam muito ao barulho, a climatização e estrutura do ambiente, as relações e conflitos com a chefia e demais colegas de trabalho, mas o cotidiano acaba se perdendo, fica esquecido. A rotina dos bancários é conviver sob a pressão das cobranças e metas elevadas, assédios morais, e incumbências muitas vezes superiores à capacidade que um indivíduo normal teria de executar.  “É esta forma de trabalho que gera a o estresse e angustia o trabalhador”. 

Há tempos venho fazendo atendimentos a pacientes do segmento bancário e observando alto índices de pressão (muitas vezes perversa) por resultados e competitividade originado por um jogo de poder desenvolvido até mesmo de modo consciente por chefes que ao fim levam a distúrbios de ansiedade, depressão e a síndromes relacionadas ao trabalho que cientificamente dá-se ao nome de “burnout”.

Essa categoria passa cotidianamente por mudanças muitas vezes não planejadas, ordens diretas de cima pra baixo sem consultas aos subordinados, mudanças essas que afetam diretamente a vida do trabalhador. Não podemos deixar de analisar que setor está ligado diretamente a economia e esta totalmente relacionada a tomada de decisões publicas, e assim geram todo este contexto de estado de alerta por mudanças (que de veras muitas vezes são necessárias, a questão a se ter cuidado é o modo como são feitas).Modelos de comunicação mais abertos, periódicos e assertivos com uma orientação à carreira do trabalhador focado no desenvolvimento,  diminuiria o impacto da loucura dessas mudanças abruptas.   

Outra característica deste ambiente é a despersonificação do sujeito, onde o mesmo é visto muitas vezes como uma máquina para realizar procedimentos internos, não sendo reconhecido pelas relações sociais que o circunda.

Bom, possivelmente você leitor que se identifica com e esse artigo ou é um banqueiro ou um bancário, como a probabilidade de você ser um banqueiro é quase ínfima, segue aqui 05 orientações pra você implementar no seu dia a dia que auxilia na diminuição do impacto de fatores estressores.

1º – Cuide de você – Nenhum trabalho é perfeito, sempre haverá em alguma circunstância  ou algo que você terá dificuldade em lidar, e mais ainda, não sabemos qual a leitura que a mente/inconsciente elaborou como forma de se defender, sendo assim, ficar passivamente esperando tudo acontecer não é um opção saudável, desenvolver outras fontes de relacionamento além do trabalho, fazer atividade física cuidar da mente é tão necessário quanto cuidar da carreira.

2º – Invista no clima organizacional – Comemorar datas festivas, aniversário, metas, levar pro trabalho algo que você faz bem para partilhar com os amigos, quebra aquela rotina intensa de trabalho e diminui o impacto da despersonificação do sujeito, pois a equipe aprende a ver o sujeito além das atividades rotineiras que ele desenvolve.

3º – Aprenda a desenvolver uma comunicação assertiva mesmo em momentos difíceis – Não podemos deixar de analisar que bancos trabalham com números e dinheiro todo o tempo, essa relação tem uma quimica muito forte para relações de poder e conflitos relacionados a  egos, conflitos, revanches  e sabotagens, dificilmente você vai fazer essa leitura antes de entrar num banco, é necessário  uma estrutura emocional bem elaborada para lidar com todas essas situações e a comunicação assertiva é uma das quais considero mais importantes, saber dizer ao não competente para uma área que, a sua falta de habilidade o desqualifica para um cargo que ele sonha não é nada fácil.

4º – Não coloque todas as fichas da sua vida no seu trabalho – Este é um erro muito grande em muitos profissionais e essa não poderia ser diferente. É claro que nós nos realizamos no trabalho, melhoramos nossas condições financeira e da nossa família, mas com certeza por mais que você tenha paixão ao seu trabalho ( e isto é muito positivo) existem outras áreas de relações que merecem tão grande atenção e cuidado como  você faz no trabalho, e a família é um grande exemplo, o problema é que muitas vezes quando somos inábeis com algo na família focamos nossa energia no trabalho como forma de fuga das emoções sentidas em casa.

5º – Busque apoio profissional – Se mesmo com tudo isso, você está sentindo muita angústia e sofrimento por conflitos que vem desenrolando por muito tempo e já se sente incompetente para lidar, busque apoio profissional, tenho certeza que na sua cidade há vários profissionais de psicologia que podem de alguma forma lhe ajudar na elaboração das suas emoções e contribuindo na construção de repertório de competências, distorcendo percepções e  tornando sua vida menos sofrida e pesada.

PS: Dedico este artigo a especificamente a um paciente que hoje não está mais em atendimento clinico, mas sempre me pede para escrever um artigo sobre a área que trabalhou a anos. Hoje aposentado está aproveitando a vida da melhor forma que existe com a sua linda família. Tenho muito orgulho e gratidão pela confiança em mim depositada durante o atendimento psicoterapêutico, e claro que por questões éticas profissionais o nome não pode ser revelado.  

Espero que a leitura deste artigo tenha lhe ajudado, aproveite e mostre a um amigo que necessita de uma leitura mais apropriada ao problema que esteja passando. Caso queira contribuir com críticas ou sugestões a esta coluna de comportamento escrita por Leonardo Sandro Vieira é só contactar pelo 33-98818-6858 ou 3203-8784 ou pelo e-mail:leosavieira@gmail.com 
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Leonardo Sandro Vieira 
CRP-04/43298

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